Vai para Nova York? Então precisa conferir essas 6 peças da Broadway
Depois de 16 anos morando em Nova Iorque, e trabalhando com teatro desde que cheguei aqui, já ouvi todos os mitos sobre a Broadway. A imagem que vem à cabeça da grande maioria das pessoas é aquela de mega musicais, com elencos e orquestras gigantes que ficam em cartaz por 20 anos. Mas a verdade é que a Broadway é muito mais variada do que pode parecer pela fama.
Na prática, a maioria das peças tem um elenco pequeno, orçamento moderado e um tempo de vida bem mais curto do que os famosos musicais blockbusters. Em média uma peça ou musical fica em cartaz por poucos meses, e de acordo com a própria Broadway League, cerca de 4 em cada 5 produções não conseguem sequer recuperar o investimento inicial.
O que define uma peça da Broadway não é nem o investimento nem a qualidade da produção e sim o tamanho do teatro. Para ser considerado “Broadway” deve ter pelo menos 500 lugares, e há 41 teatros em Nova York que entram nessa categoria. Os teatros off-Broadway são 100 a 499 lugares e off-off-Broadway são casas com menos de 100 lugares. É comum um espetáculo nascer off-Broadway ser transferido para um teatro maior e “virar” Broadway. Algumas das peças mais clássicas da Broadway começaram em teatros menores da cidade como Cabaret, Hair, A Chorus Line e mais recentemente Hamilton e Hadestown.
E o contrário também acontece e muito. Avenue Q ficou seis em cartaz na Broadway e depois outros 10 anos Off-Broadway. Jersey Boys e Rock of Ages também tiveram longas e bem sucedidas temporadas em teatros menores após anos em cartaz na Broadway.
Outro detalhe que surpreende quem não acompanha a cena teatral de perto é que os elencos mudam com frequência, principalmente nos espetáculos de maior sucesso. Os contratos costumam ser fechados por aproximadamente um ano, e é raro um ator original permanecer no papel por muito mais tempo que isso. Trabalhar na Broadway não é nada fácil, são oito shows por semana, com apenas um dia de folga. Além do imenso preparo físico necessário para sustentar o dia a dia do teatro, é difícil conciliar o pouco tempo livre com qualquer outro projeto profissional.
Por isso, se você tiver a sorte de assistir a uma peça com o elenco original completo, saiba que é um dia de sorte. E não se desespere caso isso não aconteça, pois muitas vezes o elenco substituto é até melhor que o original. Em 2005, o Tony Award chegou a criar uma categoria de Best Performance by an Actor or Actress in a Recreated Role (melhor performance em um papel recriado) inspirados pela performance de Jonathan Pryce ao substituir John Lithgow no musical Dirty Rotten Scoundrels. Mas o prêmio não recebeu votos suficientes para nenhum ator e acabou sendo cancelado.
Isso tudo ajuda a demonstrar que seja em um musical blockbuster ou uma peça obscura, qualquer ida ao teatro vai ser uma experiência única. E como tudo é cíclico, selecionamos seis espetáculos em cartaz, diferentes em tom, formato e escala:
6 peças da Broadway para fugir do óbvio
The Lost Boys
Musical de terror com humor e estética roqueira baseado no clássico cult de vampiros de 1987. Estrelando a maravilhosa Shoshana Bean, com participação do guitarrista Slash e direção de Michael Arden.
The Rocky Horror Show
O clássico cult definitivo, teve sua última versão na Broadway no ano 2000 e está de volta no Studio 54. Estrelando Luke Evans, Stephanie Shu, Andrew Durand, Rachel Dratch e Sherie Rene Scott. A direção é de Sam Pinkleton, que também é responsável pela direção da próxima obra da lista.
Oh, Mary!
A peça (não musical) mais comentada dos últimos tempos. Escrita e estrelada originalmente por Cole Escola, uma sátira debochada sobre Mary Todd Lincoln nos dias que antecedem o assassinato do marido. Há uma constante troca de quem interpreta a personagem, por isso se tornou uma daquelas peças que vale a pena ver de novo. Entre as melhores interpretações do papel estão John Cameron Mitchell, Maya Rudolph, Jane Krakowski e Tituss Burgess. Meg Stalter até setembro e será substituída por Bowen Yang.
Operation Mincemeat
Baseado numa operação real de espionagem britânica na Segunda Guerra com o nome da peça, é um dos musicais de comédia mais inusitados dos últimos anos. Só cinco atores dão conta de dezenas de personagens, trocando de papel (e de gênero) o tempo todo. A produção que está em cartaz por tempo limitado na Broadway foi completamente importada de Londres.
Two Strangers (Carry a Cake Across New York)
Outra produção que começou na Inglaterra, é o musical quase-romântico que apenas tem dois atores. Simples, mas extremamente emocionante e divertido. Tem sido um favorito do público cativo teatral.
Titanique
A produção começou off-broadway e teve tanto sucesso que foi transferida para a Broadway e conta com Deborah Cox e Jim Parsons no elenco de apoio. O filme Titanic é contado e cantado pela própria Celine Dion, narrando a sua versão dos fatos de Jack e Rose usando seus próprios hits. É o perfeito exemplo de um musical jukebox, quando só tem músicas conhecidas. A peça está nas últimas semanas na Broadway, mas com certeza vai voltar aos palcos em algum outro formato.
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